Nosso patrimônio: Teatro de Bonecos do Nordeste

A série de conteúdos ‘Nosso patrimônio’ vai mergulhar na história e na memória das expressões da cultura popular e da cultura afro-brasileira que foram reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil. 

 

Essas manifestações guardam saberes ancestrais, práticas coletivas e modos de vida que fortalecem a identidade do nosso povo. A cada conteúdo aqui no blog e nas redes sociais do Edital, nós vamos destacar uma dessas expressões, falando mais sobre a sua origem e sua importância para as comunidades e para o país. 

 

Começamos com uma arte que encanta gerações inteiras: o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste. 

 

 

O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste é uma das expressões culturais mais antigas, criativas e simbólicas do Brasil.  

 

Nascido da sabedoria popular, esse tipo de teatro encanta adultos e crianças com bonecos que falam, brigam, se apaixonam e vivem aventuras, tudo isso guiado pela mão e voz de seus mestres, os brincantes. Essa tradição é tão rica e significativa que, em 2015, foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil, em sua forma imaterial, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

 

Mas você sabe de onde vem essa tradição e por que ela é tão importante para a cultura popular? 

 

Uma arte com muitos nomes e diferentes sotaques 

 

Essa manifestação é conhecida por nomes diferentes, dependendo do estado onde acontece. Em Pernambuco e Alagoas, é chamada de mamulengo; na Paraíba, babau; no Rio Grande do Norte, João Redondo; no Ceará e no Piauí, é conhecido como Cassimiro Coco. Cada nome carrega sotaques e estilos próprios, mas todos fazem parte da mesma raiz cultural. 

 

Apesar das diferenças, há algo em comum: todos esses espetáculos envolvem bonecos feitos de madeira ou papelão, movimentados por artistas que contam histórias cheias de humor, crítica social, religiosidade e fantasia. 

 

De Maceió para o mundo 

 

Em Maceió, a tradição dos bonecos ganha expressão contemporânea com grupos locais como a Trupe Canguelê – Teatro de Bonecos de Alagoas, cuja atuação projeta a cidade no circuito internacional. Em 2025, a Trupe foi selecionada como a única delegação brasileira do XX Festival Internacional de Teatros de Bonecos “Vistas de Ryazan”, na Rússia (12 a 18/09/2025), apresentando o espetáculo “Folguedos das Alagoas – Sentimentos e Expressões da Nossa Gente”. A participação reúne referências de Pastoril, Fandango, Guerreiro, Bumba-meu-boi e Coco Alagoano, com bonecos confeccionados em materiais recicláveis, fortalecendo a ligação entre patrimônio cultural, sustentabilidade e inclusão no cotidiano urbano de Maceió, reafirmando como o mamulengo e o teatro de animação seguem vivos e relevantes na cidade. 

 

Um pouco de história: de onde surge o teatro de bonecos 

 

O teatro de bonecos surge no Brasil durante o período colonial, influenciado por tradições europeias como o teatro de fantoches português e espanhol. Mas no Nordeste essa expressão ganha vida e estilo próprios, transformando-se em algo único: incorporando personagens, sotaques e enredos populares, refletindo o cotidiano, os conflitos e o humor das comunidades de diferentes estados do Nordeste. 

 

Foi nas feiras, praças e festas de rua que essa arte se consolidou como uma forma de divertimento popular, acessível e carregada de leitura política e social. Até hoje, ela continua presente em apresentações comunitárias, grupos de brincantes e festivais culturais, resistindo como um espaço de memória, criatividade e identidade. 

 

Uma tradição que atravessa gerações 

 

O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste é uma cultura transmitida principalmente pela oralidade e pela convivência entre mestres e aprendizes. Muitas vezes, é dentro da própria família que o saber é passado de geração em geração. 

 

A importância de garantir esta continuidade é uma das razões pelas quais essa manifestação foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial: ela carrega modos de fazer, narrar, ensinar e brincar que estão profundamente ligados à identidade e à memória das comunidades populares.